Por Thomaz Pedro

Ao ler o texto Usando a Realidade Aumentada na Publicidade acabei por fazer algumas associações ao meu TCC, intitulado Espaços Híbridos e Subjetividade. Esse trabalho então se estendeu de um trabalho sobre realidade aumentada para uma comparação do primeiro texto com o TCC para mostrar como que o primeiro poderá me ajudar no segundo.

O texto Usando a Realidade Aumentada na Publicidade começa com uma definição bem concisa para o termo realidade aumentada, sendo ela “um tipo de interface avançada que permite, ao usuário, ver, ouvir, sentir e interagir com informações e elementos virtuais inseridos no seu ambiente físico, através de algum dispositivo tecnológico”.  O texto traz em seguida diversos exemplos de aplicações da interface, desde o mais conhecido cartão impresso com uma figura que, quando colocado na frente da webcam, é reconhecida pelo computador que consegue ler sua posição no espaço. Ou até exemplos mais complexos como a observação, através de um celular, de um imóvel virtual que ainda será construído no próprio terreno ou outdoors e mensagem virtuais que podem ser visualizados através desse aparelhos.

O texto segue, sempre trazendo exemplos e suas aplicações prática no mundo da publicidade, e deixa bem claro que a realidade aumentada é uma ferramenta que vai facilitar a sensação de naturalidade de objetos virtuais sobrepostos ao mundo real. O texto termina com uma previsão – em algum tempo será mais comum o uso de tecnologia móvel, como celulares com GPS ou óculos de realidade aumentada, em espaços abertos para a visualização de um espaço virtual inserido no espaço real. Uma cidade/ambiente virtual construída em cima da cidade/ambiente real que só pode ser visualizada com o uso dessas tecnologias.

No meu TCC defendo que as tecnologias móveis de comunicação são capazes de criar um espaço híbrido entre o virtual e o real e esse novo espaço certamente traz consigo mudanças para as subjetividades individuais e também coletiva. O espaço físico está cada vez mais contaminado por vestígios do espaço virtual. Hoje em dia existem espaços de sociabilidade que só fazem sentido nesse ambiente contaminado, híbrido. Podemos enxergar e caminhar na nossa cidade de uma maneira diferente por meio das tecnologias móveis e navegar na rede nos movendo fisicamente.

Além da semelhança óbvia dos dois temas, achei nesse texto sobre realidade aumentada diversos exemplos que poderei usar na tese. Eles vão complementar e abrir um novo leque de exemplos diferentes dos que eu utilizava que se limitavam a existência de comunidades virtuais geosociais, obras de arte midiáticas e pervasive games desenvolvidos para essas tecnologias, principalmente para o celular com GPS. A realidade aumentada é, então, mais um leque em que posso apoiar meus estudos e de lá tirar exemplos práticos desse espaço híbrido e de sua utilização pratica.

A tese tentar compreender como que esses espaços híbridos, criados a partir dessas tecnologias podem influência na subjetividade, para tal é necessário definir claramente o que são espaços híbridos, como funcionam e como surgiram e isso será feito com ajuda da tese de Adriana Souza e Silva. Ela explica e exemplifica como os espaços híbridos, que tendem a tornar-se cada vez mais parte do nosso dia a dia, contestam a noção de real e virtual, transformam a sociabilidade, a produção do imaginário, a percepção do mundo. Também será necessário tentar compreender a relação de tecnologia e subjetividade, alguns teóricos, como Pierre Levy (1993), em seu livro As Tecnologias da Inteligência; e Guatarri (1987), em seu artigo Da Produção de Subjetividade e também a tese de Souza e Silva são algumas das bases teóricas que pretendo me apoiar para fazer essa relação.

O que acho interessante é que todo esse percurso descrito acima e o resultado da tese também poderá ser aplicado aos exemplos de realidade aumentada que vimos no texto.