A cada momento que abrimos os nossos olhos e vemos pequenos fragmentos do mundo, nossa percepção subjetiva do que vemos na nossa frente é clara, coerente e completa. Nós presumimos que essa impressão é confiável e correta, e normalmente nem nos preocupamos para o “como” isso aconteceu. Para nós isso é tão automático que muitas vezes até esquecemos que as imagens formadas no nosso cérebro e mundo que estamos vendo não são a mesma coisa. Mas na realidade o mundo visual “virtual” que é criado nas nossas mentes é um resultado da interação entre nossa experiência, nosso repertório, e a informação que recebemos.

É interessante então notar quais são os resultados para a nossa percepção quando nos deparamos com estímulos ambíguos, como por exemplo imagens ambíguas. As imagens ambíguas sempre contêm mais de uma cena na mesma imagem.
Nosso sistema visual interpreta a imagem em mais de um modo. Embora a imagem em nossa retina permaneça constante, nunca vemos uma mistura estranha das duas imagens/percepções sempre é uma ou a outra.

A nossa percepção se alterna entre interpretações possíveis das imagens; isso é, a nossa compreensão fica em dúvida com o mundo que estamos vendo, não aceitando de imediato o visto como o mundo, pois ele pode variar dependendo da interpretação. Isso é a razão do contínuo esforço do cérebro de reavaliar a informação que recebe.

Uma das razões para o estudo de imagens ambíguas é a idéia de que a alternância na nossa percepção visual revela as seleções que fazemos durante o processo envolvido na percepção visual em geral. Ou seja, pode nos ajudar a conhecer mais os princípios organizacionais inerentes a todo tipo de visão.

O estudo das imagens ambíguas pode também nos ajudar a aprofundar o entendimento de consciente e inconsciente. Quais os processos cerebrais estão ativos quando o observador reconhece uma das imagens, e quais estão desativados para que ele não reconheça a outra interpretação da imagem?

Ramachandran escreveu em um artigo: “Imagens visuais são essencialmente ambíguas. A imagem de uma pessoa na retina tem o mesmo tamanho se vemos um anão bem de perto ou um gigante de longe. A percepção depende, em parte, de empregar certas premissas sobre o mundo para resolver essas ambigüidades, e podemos nos valer de ilusões para descobrir quais são as regras e proposições ocultas no cérebro. “

É interessante fazer uma paralelo dos estudos que Rachamandram e outros pesquisadores fizeram quanto as imagens ambíguas e os estudos feitos por Bakthin e aprofundado por outros lingüistas. Os último afirmam que para entender a linguagem é necessário inserir – lá no contexto de relação social que a engloba, ou seja, um texto nunca é lido da mesma maneira por duas pessoas diferentes, um enunciado nunca tem o mesmo significado as pronunciado por pessoas diferentes. É preciso situar emissor e receptor, bem como o próprio som no meio social, é necessário entender todas as condições de produção de um enunciado se queremos chegar no seu significado. O repertório do receptor é dos produtores tem que ser levando em conta. Isso tem um forte relação com os estudos das imagens ambígua, os dois estudos chegam as mesmas conclusões pois acreditam que o mundo que percebemos é um resultado da interação entre nossa experiência, nosso repertório, e a informação que recebemos.

Bibliografia

http://www.cnbc.cmu.edu/~tai/papers/ima.pdf

http://home.planet.nl/~brascamp/publications/thesis_brascamp.pdf

http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/ver_e_acreditar_imprimir.html

http://www.cubbrasil.net/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=1038

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